Segunda gestação após os 35: Por que preparar o corpo faz a diferença?


Amanda Figueiredo
por: Amanda Figueiredo
Amanda Figueiredo (@nutriamandafig) é nutricionista clínica pela USP, especialista em saúde da mulher, gestantes e introdução alimentar.

Se na primeira gravidez tudo era novidade, na segunda muitas mulheres entram no processo com a sensação de que já sabem o caminho. E, de fato, a experiência ajuda. Mas, o corpo, o metabolismo e as necessidades nutricionais já não são exatamente os mesmos.

Hoje, é cada vez mais comum que a segunda gestação aconteça após os 35 anos, seja por escolha, carreira, estabilidade financeira ou porque a maternidade simplesmente aconteceu em outro tempo.

Mas, isso não precisa ser visto como um problema. Pode ser uma oportunidade de fazer diferente, com mais consciência e preparo.

Gosto de dizer que preparar o corpo antes de engravidar é como construir a primeira casa do bebê. É nesse terreno biológico que a gestação vai se desenvolver. E, depois da primeira gravidez, esse terreno pode ter algumas novas demandas.

A gestação, o parto e a amamentação são fases de alta exigência nutricional. Mesmo quando tudo corre bem, é comum que algumas reservas fiquem reduzidas, especialmente de ferro, vitamina D, vitamina B12, cálcio, ômega-3 e estoques proteicos.

Além disso, a rotina muda. Menos horas de sono, mais estresse, menos tempo para se cuidar e, muitas vezes, um ganho de peso residual da primeira gestação que permanece.

Depois dos 35, o metabolismo também tende a mudar. A sensibilidade à insulina pode não ser a mesma, a inflamação pode estar mais presente e algumas condições como hipertensão, resistência à insulina ou alterações da tireoide merecem atenção especial.

Por isso, vale fazer uma pausa para olhar para a própria saúde.

Alguns pilares são fundamentais:

1. Ajustar o peso corporal (sem extremismos)


Não se trata de emagrecer por estética, mas, de buscar um peso metabolicamente saudável. O excesso de peso aumenta riscos gestacionais como diabetes gestacional, pré-eclâmpsia e inflamação.

2. Corrigir deficiências nutricionais


Exames laboratoriais podem identificar carências importantes deixadas pela primeira gestação ou agravadas pela rotina intensa da maternidade.

3. Rever a suplementação


Ácido fólico, ferro, vitamina D, ômega-3, colina e outros nutrientes podem ser estratégicos no pré-concepcional, sempre de forma individualizada.

4. Organizar a alimentação


Uma dieta equilibrada, rica em proteína de qualidade, vegetais, frutas, gorduras boas, fibras e carboidratos de boa qualidade ajuda na fertilidade, no controle metabólico e na formação adequada do bebê desde o início.

Essa alimentação deve priorizar:

– proteínas em todas as refeições (ovos, carnes, peixes, iogurte, leguminosas)
– vegetais variados e coloridos
– frutas diariamente
– fontes de ferro (carnes, feijões, folhas escuras)
– gorduras boas (abacate, azeite, castanhas, sementes)
– fontes de colina (gema de ovo), importante para o desenvolvimento neurológico fetal
– ômega-3, especialmente se o consumo de peixes for baixo

5. Controlar doenças prévias


Diabetes, hipertensão, síndrome do ovário policístico, alterações da tireoide e resistência à insulina precisam estar ajustadas antes da gestação.

6. Manter o corpo em movimento


Exercício físico melhora fertilidade, metabolismo, inflamação, composição corporal e saúde mental.

O melhor momento para cuidar do bebê começa antes mesmo do positivo, e começa cuidando de você.

  • Amanda Figueiredo

    Nutricionista clínica pela USP, especialista em saúde da mulher, gestantes e introdução alimentar. Acredita que trabalhar com nutrição significa poder ajudar quem deseja se alimentar de maneira mais saudável e mostrar os impactos positivos dos bons hábitos. Também pensa que a alimentação saudável não precisa ser sacrificante; ela pode ser criativa e cheia de sabor, principalmente quando a incluímos desde a infância.

Data da postagem: 13 de maio de 2026

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