Educação emocional ganha espaço nas escolas


Paula Cabrera
por: Paula Cabrera
Jornalista, apaixonada por contar histórias e conectar pessoas, e mãe da Isabela

Especialistas defendem que ensinar crianças a lidar com emoções, frustrações e respeito às diferenças é fundamental para construir relações mais saudáveis no futuro; tema dominou debates e lançamentos na Bett Brasil 2026

Aprender a lidar com as emoções se tornou tema de livros e de disciplina na maioria das escolas Foto: Divulgação/Free Pik

Nos últimos anos, o debate sobre saúde mental, convivência e desenvolvimento emocional das crianças passou a ocupar espaço crescente dentro das escolas e também nas famílias. Educadores e especialistas defendem que preparar crianças para reconhecer sentimentos, lidar com frustrações e desenvolver empatia se tornou parte essencial da formação infantil.

A mudança já aparece de forma concreta no mercado educacional. Na Bett Brasil 2026, maior feira de educação da América Latina, os estandes dedicados à educação socioemocional dividiram protagonismo com as opções voltadas à tecnologia. Editoras e grupos educacionais apresentaram livros, apostilas e conteúdos voltados ao desenvolvimento emocional infantil, especialmente na primeira infância.

Na Ciranda Cultural, pelo menos quatro coleções diferentes abordavam sentimentos Foto: Paula Cabrera

Entre os principais temas estavam respeito, tolerância, autocontrole emocional e formas saudáveis de enfrentar rejeições e frustrações. A proposta é que as crianças aprendam desde cedo que sentimentos devem ser reconhecidos e verbalizados, criando ferramentas emocionais importantes para a vida adulta.

Para o neurocirurgião e especialista em desenvolvimento infantil André Ceballos, esse aprendizado começa dentro de casa. Segundo ele, criar um ambiente seguro para que a criança fale sobre o que sente fortalece a capacidade de lidar com conflitos e desenvolver empatia. “Quando a criança aprende a reconhecer emoções e a falar sobre frustrações, ela também desenvolve mais facilidade para compreender o sentimento das outras pessoas. O diálogo e o exemplo dos adultos são fundamentais nesse processo”, afirma.

Pequenas situações do cotidiano ajudam a construir essa inteligência emocional. Conversar após um conflito na escola, incentivar a criança a refletir sobre o impacto das próprias atitudes ou ensinar a pedir desculpas são exemplos simples que contribuem para o desenvolvimento socioemocional. É nesses exercícios simples de partilha e de tarefas simples que apostam as editoras.

A psicóloga Lígia Vezzaro Caravieri, gerente técnica do Instituto Ficar de Bem, explica que habilidades como empatia, responsabilidade e respeito às diferenças precisam ser estimuladas desde cedo. “Quando a criança aprende a reconhecer emoções e a refletir antes de agir, ela compreende com mais clareza o impacto das próprias atitudes no outro. Isso fortalece relações mais saudáveis e equilibradas”, destaca.

A participação ativa das famílias também é apontada como fundamental nesse processo. Acompanhar a rotina escolar, conhecer os amigos e manter um diálogo aberto sobre o cotidiano ajudam a fortalecer vínculos de confiança e criam espaço para que meninos e meninas compreendam que falar sobre sentimentos faz parte do crescimento.

A participação da família é apontadapor especialistas como crucial para fortalecer vínculos e criar crianças mais empáticas Foto: Divulgação/Free Pik

“Criar crianças mais empáticas é um processo que se constrói com exemplo, escuta e presença. Quando uma criança cresce em um ambiente que valoriza o respeito, o diálogo e a responsabilidade emocional, ela se torna mais preparada para construir relações saudáveis e contribuir para uma convivência mais equilibrada na sociedade”, conclui Lígia.

Na Bett Brasil 2026, diversas empresas apresentaram soluções voltadas a essa demanda das escolas. O Pleno, solução de educação socioemocional da Arco Educação, transformou seu estande em uma experiência imersiva de escuta ativa. O principal destaque foi o “Mapa Afetivo”, instalação interativa em que educadores e visitantes registravam sentimentos e percepções sobre a escola e o futuro da educação, criando um painel coletivo sobre o clima emocional no ambiente escolar.

A marca também apresentou o “Diálogo Pleno”, programa voltado ao combate ao bullying e cyberbullying, com ferramentas para identificação de conflitos, acompanhamento de casos e ações preventivas dentro das escolas.

Outra novidade apresentada na feira foi o “Pulso”, plataforma da Escola da Inteligência, que utiliza inteligência artificial para acompanhar o bem-estar emocional de estudantes do 5º ao 9º ano do Ensino Fundamental. A ferramenta permite que os alunos façam check-ins semanais sobre como estão se sentindo, ajudando professores e gestores a identificarem sinais de sofrimento emocional e acompanharem o clima das turmas de forma estruturada.

Segundo Rafaela Perim, as emoções impactam diretamente a aprendizagem, especialmente durante a adolescência. “Os estudantes precisam de um espaço seguro para nomear sentimentos, desenvolver vocabulário emocional e fortalecer o autoconhecimento. O Pulso vem justamente para ajudar escolas a transformar emoções em dados e promover intervenções mais eficazes”, explica.

Já a Ciranda Cultural trouxe uma coleão inteira que ensina as crianças a reconhecer sentimentos e lidar com cada um deles. Sentimentos como ansiedade, medo, raiva, inveja ganham cada um seu livro com explicações de omo eles surgem e como podemos conviver com esse sentimento de maneira mais pacífica. “Quando a criança aprende a reconhecer emoções e a refletir antes de agir, ela compreende com mais clareza o impacto das próprias atitudes no outro. Isso fortalece relações mais saudáveis e equilibradas”, destaca.

Estandes de educação sócio emocional dividiam espaço com oss de tecnologia na Feira de Educação Foto: Divulgação

  • Paula Cabrera

    Jornalista, apaixonada por contar histórias e conectar pessoas, e mãe da Isabela

Data da postagem: 13 de maio de 2026

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