Fibermaxxing: A febre das fibras nas redes sociais e até que ponto isso faz bem


Amanda Figueiredo
por: Amanda Figueiredo
Amanda Figueiredo (@nutriamandafig) é nutricionista clínica pela USP, especialista em saúde da mulher, gestantes e introdução alimentar.

Depois da era das dietas hiperproteicas, das barrinhas fortificadas e do foco quase religioso em gramas de proteína por refeição, chegou a vez de outro nutriente ganhar os holofotes das redes sociais: a fibra.

O fibermaxxing, tendência que propõe maximizar ao extremo o consumo diário desse nutriente, se espalhou rapidamente entre criadores de conteúdo que mostram refeições calculadas para somar dezenas de gramas de fibra por dia, muitas vezes acompanhadas de suplementos, pós e barrinhas formuladas para isso.

Não é coincidência que essa febre surja logo depois da explosão do proteinmaxxing e, paralelamente, do boom das canetas emagrecedoras. Essas medicações reduzem o apetite e a ingestão alimentar total, o que torna ainda mais delicado garantir fibra, proteína e micronutrientes suficientes dentro de um volume menor de comida.

A fibra entrou nesse cenário como resposta à busca por saciedade, controle de peso e conforto intestinal, que são os pontos sensíveis para quem está em tratamento com essas medicações ou tentando obter seus efeitos por conta própria.

A indústria alimentícia, atenta a esse movimento, não demorou a reagir. Grandes marcas já reformulam produtos e lançam versões enriquecidas com fibra, de sachês adicionados a bebidas até saladas líquidas prontas para consumo. O nutriente que antes ocupava um canto discreto do rótulo virou selo de destaque, repetindo a mesma lógica de marketing que, anos atrás, transformou a palavra proteína em garantia de venda.

Nem sempre mais fibras é o caminho

Fibra é importante, sim, e a maioria da população realmente consome menos do que deveria. Mas, a resposta para isso não é o extremo oposto. Aumentar esse consumo sem dar tempo para o intestino se adaptar costuma causar gases, distensão abdominal e desconforto significativo, principalmente quando a hidratação não acompanha esse aumento.

Há ainda evidências de que quantidades muito elevadas podem interferir na absorção de minerais importantes, como cálcio e ferro, e, em alguns casos, levar a desconfortos intestinais crônicos ou até obstruções.

Também é preciso falar sobre a dependência de fibras vindas de suplementos e produtos processados, no lugar de fontes naturais como frutas, verduras, leguminosas e grãos integrais. Fibra em forma de suplemento cumpre um papel pontual, mas não reproduz a complexidade nutricional de um alimento inteiro, com suas vitaminas, minerais e compostos bioativos atuando em conjunto.

Para nós, mulheres, esse tipo de modismo pede ainda mais cautela. Vivemos fases hormonais distintas, como ciclo menstrual, gestação, amamentação, climatério e menopausa, que alteram as necessidades de todos os macronutrientes, não apenas de um isolado. Perseguir a fibra com a mesma obsessão que antes se dedicava à proteína corre o risco de repetir o padrão das dietas da moda. Um nutriente de cada vez, tratado como solução mágica, enquanto o equilíbrio do todo fica em segundo plano.

Como aumentar o consumo de fibras com equilíbrio

Para quem quer aumentar a fibra de forma segura, sem cair na armadilha do excesso, alguns cuidados fazem toda a diferença.

1Aumente aos poucos, não da noite para o dia. Adicione uma porção extra de fibra a cada poucos dias e observe como o intestino responde, dando tempo para a microbiota se adaptar antes do próximo aumento.

2- Priorize comida de verdade em vez de suplementar. Frutas com casca, leguminosas como feijão e lentilha, grãos integrais e sementes como chia e linhaça entregam fibra acompanhada de vitaminas, minerais e outros compostos que um suplemento isolado não reproduz.

3- Beba água suficiente ao longo do dia. Fibra sem hidratação adequada tende a causar o efeito contrário do desejado, deixando o intestino mais preso em vez de regular o trânsito intestinal.

4- Sempre varie as fontes em vez de repetir sempre o mesmo alimento. Fibras solúveis (aveia, maçã, leguminosas) e insolúveis (cereais integrais, folhas verdes, cascas) têm funções diferentes no organismo, e um cardápio variado garante os benefícios dos dois tipos, sem depender de números extremos ou fórmulas da moda.

  • Amanda Figueiredo

    Nutricionista clínica pela USP, especialista em saúde da mulher, gestantes e introdução alimentar. Acredita que trabalhar com nutrição significa poder ajudar quem deseja se alimentar de maneira mais saudável e mostrar os impactos positivos dos bons hábitos. Também pensa que a alimentação saudável não precisa ser sacrificante; ela pode ser criativa e cheia de sabor, principalmente quando a incluímos desde a infância.

Data da postagem: 22 de julho de 2026

Tags: , ,

Vale a pena dar uma olhada na minha seleção de produtos incríveis e
serviços que facilitam sua vida de mãe ;)