Bienal do Livro 2026 traz livros infantis sobre empatia, acessibilidade e criatividade
Com espaço dedicado às crianças e programação para toda a família, evento reúne obras que abordam sentimentos, neurodiversidade, inclusão e imaginação de maneira lúdica
A literatura infantil ganha espaço de destaque na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que começa nessa sexta, dia 4, e vai até 13 de setembro, no Distrito Anhembi. Em uma edição que reúne 269 expositores, cerca de 350 autores e expectativa de mais de 700 mil visitantes, o evento aposta também em histórias capazes de ajudar crianças a compreender sentimentos, diferenças e novas formas de enxergar o mundo.
Entre os temas que aparecem nos livros apresentados durante a Bienal estão empatia, inclusão, acessibilidade, neurodiversidade, autoconhecimento e criatividade. A proposta acompanha uma programação infantil que inclui contações de histórias, oficinas, brincadeiras literárias e encontros com autores.
Empatia começa nas histórias

Um dos exemplos é “Meu mundo é uma bola”, de Regiane Alves e Liliane Mesquita. A obra acompanha quatro amigos unidos pelo sonho de jogar futebol e utiliza as diferenças e os desafios vividos pelos personagens para trabalhar amizade, empatia e superação.
As autoras participam de sessão de autógrafos na Bienal no dia 12 de setembro, às 11h, no espaço da Ciranda Cultural. A editora também leva ao evento “TDAH Futebol Clube”, de Tiago Gonçalves e Clara Gavilan. Na história, Rafinha é uma menina criativa, curiosa e apaixonada por futebol que enfrenta dificuldades relacionadas à atenção, organização e impulsividade. O livro procura apresentar a neurodiversidade de forma acessível e reforçar que o diagnóstico não define a criança e que ela precisa ser compreendida para desenvolver suas potencialidades. O Espaço Educação terá discussões sobre inclusão, neurodiversidade, alfabetização com os autores Tiago Gonçalves e Clara Gavilan no dia 12 de setembro, às 16h, também no espaço da Ciranda Cultural.

Livros que ajudam a tornar a infância mais inclusiva
A acessibilidade aparece de maneira ainda mais direta em “Família da Libras”, de Filipe Macedo. O livro apresenta sinais da Língua Brasileira de Sinais e convida as crianças a aprender formas de comunicação pelas mãos.
Na nova obra “Família da Libras – Sentimentos”, o foco está justamente na possibilidade de expressar emoções por meio da Libras. A publicação aborda sentimentos, identidade, comunicação e inclusão e foi pensada para aproximar crianças surdas e ouvintes.
A proposta também dialoga com a própria programação da Bienal. No Espaço Infantil, a atividade “Família da Libras – Brincadeiras” será realizada em 10 de setembro, das 15h às 16h, apresentando sinais relacionados ao universo das brincadeiras.

Criatividade sem medo de errar
Algumas obras apostam ainda em ajudar as crianças a perderem o medo de olhar para dentro de si e experimentar a própria imaginação.
É o caso de “Era uma vez uma história”, primeiro livro infantojuvenil da escritora e psicanalista Carla Meneghini. Na obra, a própria história vira personagem e decide sair da cabeça de sua criadora para ganhar o mundo. O problema é que, para isso, precisa encontrar um final, justamente quando a autora enfrenta um bloqueio criativo.
A aventura aborda imaginação, criatividade, medo, memória e autocobrança, mostrando que criar também envolve lidar com inseguranças e aceitar que nem sempre existe uma resposta perfeita. Carla participa da Bienal no domingo, 6 de setembro, às 16h, em sessão de autógrafos no estande da Global Assessoria.

Outra aposta nessa linha é “O livro dos começos”, de Heinz Janisch, publicado pela Record. A obra apresenta pontos de partida para histórias que ainda não existem: uma nave espacial sobre a grama, uma árvore que decide fugir ou uma casa que começa a falar. A continuação fica por conta da imaginação do leitor.
A proposta é transformar a criança em participante da narrativa, em vez de apenas espectadora, estimulando a invenção e a criação de diferentes finais.
A imaginação também está nas imagens
A criatividade aparece ainda em “A menina Cláudia e o rinoceronte”, de Ferreira Gullar, publicado pela Record. A protagonista usa recortes e papéis coloridos para inventar um animal, em uma história que mostra como materiais simples podem se transformar em novas possibilidades quando entram em contato com a imaginação infantil.
Já “Jornada”, de Aaron Becker, aposta em uma narrativa praticamente sem palavras. Uma menina desenha uma porta na parede do quarto e entra em um universo fantástico criado a partir de seus próprios desenhos. A leitura convida a criança a construir a narrativa a partir das imagens e a preencher os espaços deixados pelo autor.
Um passeio que pode ir além da compra de livros
Para as famílias, a Bienal de 2026 pode funcionar para aproximar crianças e livros por meio de experiências, com contação de histórias, oficinas criativas, encontros com escritores e atividades interativas.
A escolha dos títulos também mostra como a literatura infantil contemporânea vem ampliando os assuntos tratados com os pequenos. Empatia, diferenças, sentimentos, neurodiversidade, Libras e criatividade deixam de ser temas exclusivamente destinados aos adultos e passam a fazer parte das histórias que ajudam as crianças a interpretar o próprio cotidiano.
Serviço
28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Quando: de 4 a 13 de setembro de 2026
Onde: Distrito Anhembi – Av. Olavo Fontoura, 1209, Santana, São Paulo
Horários: dias de semana, das 9h às 22h; finais de semana, das 10h às 22h. No último domingo, das 10h às 21h.








