Licença-paternidade e a nova realidade das famílias brasileiras

Existe um movimento silencioso e poderoso acontecendo dentro das casas brasileiras. Cada vez mais pais estão assumindo um papel ativo desde o primeiro choro do bebê. Se antes ser pai era ser provedor, fora de casa, agora a paternidade é colo, banho e troca de fralda de madrugada desde o primeiro dia.
Enquanto o comportamento avança, a legislação ainda caminha lentamente. Depois de anos de espera, o país começa a dar sinais de mudança. O Congresso aprovou o projeto de lei da licença-paternidade. A partir de 2027, pais passam a ter dez dias em casa após o nascimento do bebê. Em 2029, esse período sobe para vinte dias. Ainda é pouco diante das necessidades reais das famílias, mas marca o início de uma nova fase.
Cuidar de um recém-nascido é uma rotina intensa, desafiadora e emocionalmente avassaladora. A situação fica ainda mais difícil quando o pai precisa voltar ao trabalho poucos dias após a família deixar a maternidade. Cinco dias corridos não são licença. São um piscar de olhos em meio a uma revolução doméstica.
Nos primeiros dias, a casa vira um ambiente de descobertas. A mãe enfrenta uma enxurrada hormonal, o puerpério, noites picadas e a tentativa diária de entender o próprio corpo. Ao mesmo tempo, se percebe renascendo como uma nova mulher, com outros instintos, prioridades e desejos. Ter o pai por perto em tempo integral não é um bônus. É essencial. Alivia a sobrecarga, fortalece o vínculo familiar e cria um ambiente emocionalmente mais saudável para todos.
Empresas já adotam licenças estendidas
Assim como o local onde meu marido trabalhava, algumas empresas já adotam licenças estendidas por iniciativa própria como parte de programas corporativos que estimulam práticas mais igualitárias. Embora importantes, essas ações ainda são paliativas. Especialistas ressaltam que apenas uma regulamentação definitiva com prazos equivalentes aos previstos para a licença-maternidade pode transformar a relação com o cuidado e favorecer a ascensão das mulheres a posições de liderança.
Estudos recentes mostram que empresas que oferecem licenças-paternidade mais longas observam aumento no engajamento dos funcionários e melhora no desempenho. Pais que passam mais tempo com seus bebês voltam ao trabalho emocionalmente mais equilibrados, motivados e conectados com suas responsabilidades.
Estamos entrando em uma nova fase. Nela, o pai não ajuda. Ele participa. O cuidado deixa de ser visto como responsabilidade exclusiva da mãe e passa a ser um compromisso compartilhado. A presença ativa desde o início deixa de ser exceção e começa a se tornar o esperado.
A aprovação da nova lei que amplia a licença-paternidade não é apenas um direito profissional, é um convite para que as famílias vivam juntas a experiência mais transformadora de suas vidas. Quanto mais rápido a lei acompanhar essa mudança, melhor para todos, especialmente para os bebês que chegam ao mundo esperando exatamente isso.









