Você conhece o movimento Escolas Abertas? Vem saber mais!


Redação It Mãe
por: Redação It Mãe
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It Mãe - movimento Escolas Abertas

Você, mãe com filhos em idade escolar, já ouviu falar sobre o movimento Escolas Abertas? Ele foi criado por famílias, com o grande objetivo garantir que a Educação seja considerada essencial por Lei em nosso País e, dessa forma, promover o retorno gradual e seguro das aulas para todos!

Para explicar melhor sobre o movimento Escolas Abertas, conversei com a Lana Romani, mãe de 3, empresária e uma das fundadoras dessa ação. Confira o nosso bate-papo a seguir:  

DANI FOLLONI: Como surgiu o movimento Escolas Abertas?

LANA ROMANI: O movimento Escolas Abertas surgiu de um bate-papo meu com outra mãe, a Isabel Quintella. Nos conhecemos através do WhatsApp do condomínio e descobrimos que nossos filhos estudavam na mesma escola. Logo, ela me colocou no grupo da escola para que eu pudesse participar de uma discussão sobre Educação, e eu percebi que as mães estavam indignadas com essa inversão de valores, onde tudo está aberto, seguindo os protocolos de segurança, menos as escolas.

Então, começamos a conversar e vimos que o problema não estava nas escolas, mas sim na Lei ou na falta de cumprimento dela. A partir daí, fomos entender como isso funcionava, pois a gente não entendia nada. Então, vimos que existe um plano, o Plano São Paulo, aqui em nosso Estado, e que ele era um guia para todos os setores, inclusive para a Educação, mas que não estava sendo seguido.

Neste momento, decidimos procurar assessoria jurídica, e foi aí que conhecemos a Vera Vidigal, mãe e advogada que já estava movendo uma ação judicial junto ao Sindicato das Escolas Particulares. Então, nós nos unimos e encontramos outras mães indignadas, abrimos um grupo paralelo, um manifesto na internet e uma conta no Instagram. Decidimos, então, chamar esse movimento de Escolas Abertas.

A partir daí, começamos a desenvolver as estratégias. Vimos que a sociedade estava calada e a mídia não pautava esse assunto. Começamos a procurar esses meios de comunicação. Primeiro, liguei para a Jovem Pan, que prontamente nos recebeu. Na sequência, o Estadão produziu uma matéria exclusiva. Do nada, explodimos e as pessoas começaram a tomar conhecimento do movimento Escolas Abertas.

DANI FOLLONI: Ao procurar esses direitos, o que vocês descobriram?

LANA ROMANI: Nós descobrimos que o Plano São Paulo, quando foi desenhado pelo Governo do Estado, visava a reabertura de todos os sistemas e setores, sempre com regras. Já na área da Educação – no ano passado -, o plano dizia que as escolas poderiam retornar às aulas presenciais assim que as cidades entrassem na Fase Amarela e permanecessem por 4 semanas consecutivas.

A capital foi a primeira a entrar nessa fase no dia 29 de junho, ou seja, as aulas presenciais deveriam ter voltado no dia 29 de julho. Mas nos fomos “enroladas” pela Prefeitura e Governo do Estado, já que a cada 15 dias eles iam postergando esse retorno.

Entramos em contato com as escolas e elas falaram que estavam simplesmente seguindo a Lei. Quando fomos atrás, vimos que o plano não estava sendo seguido. Então, entramos com uma ação civil popular contra o Governo e a Prefeitura de São Paulo, para que esses dois órgãos cumprissem esse plano também nas escolas, não só em bares, restaurantes e igrejas, por exemplo.

Eu lembro que, quando saímos no Estadão, a gente já tinha recolhido 8 mil assinaturas no manifesto e conseguimos alcançar a marca de 300 mil, isso em apenas quatro meses.

DANI FOLLONI: Por que essa diferença do Plano São Paulo com as escolas?

LANA ROMANI: O principal é que as aulas não voltaram ano passado por causa das Eleições Municipais. Como era um ano eleitoral, o sindicato dos professores foi contra a volta às aulas, uma surpresa para nós, mães. Essa entidade é muito forte, pesou muito na decisão das prefeituras.

Como a sociedade estava muito quieta, sem reclamar, diferente de outros setores que já estavam se organizando, a Educação acabou sendo deixada de lado. Então, esse foi o real motivo, as escolas não entraram nesta linearidade.    

DANI FOLLONI: Há quanto tempo as escolas estão fechadas e como isso reflete na Educação?

LANA ROMANI: Se a gente olhar o Brasil como um todo, as escolas estão fechadas há mais de 415 dias, desde março do ano passado. Já estamos entrando no 15° mês de escolas fechadas. Isso significa que o Brasil ocupa o primeiro lugar no mundo de escolas fechadas, o que mostra uma liderança catastrófica, que vai contra todos os órgãos internacionais como UNICEF, OMS e as entidades médicas, de que as escolas precisam estar abertas.

DANI FOLLONI: Como o fechamento das escolas refletiu no dia a dia das famílias?

LANA ROMANI: O ensino no Brasil é dividido entre Municipal, Estadual e Particular. Quando você fala em Municipal, você está afetando, em sua grande maioria, do Ensino Infantil, ou seja, as crianças são realmente as mais impactadas com a falta de aulas presenciais, já que é uma faixa de idade que não aprende online, essa alfabetização é impossível.

Além de tudo, vivemos em um País que mais da metade da população não tem acesso ao ensino online, por falta de internet ou por falta de um celular ou computador. E os professores também enfrentam essa realidade, eles também não foram preparados para dar aulas online. Por isso, cerca de 40% da população não assistiu às aulas no passado. Esse dado mostra cada vez mais a desigualdade social, principalmente entre os mais vulneráveis.

Aliás, nenhuma escola particular estava preparada para essa nova realidade, além de precisarem demitir professores e funcionários, elas ainda perderam alunos para o ensino público, aumentando o desemprego na área da Educação. Isso mostra que todos os setores estão quebrando, não só o comércio.    

DANI FOLLONI: Quais os protocolos que as escolas deveriam seguir para reabrir com segurança?

LANA ROMANI: Primeiro, é importante deixar claro que as famílias têm medo, eu também tenho medo, eu vivi a doença dentro da minha casa. Todas as escolas que a visitamos, mais de 200 em todas as regiões de São Paulo, estão seguindo os protocolos de distanciamento, uso de máscara e álcool em gel.

Seguir essas regras funciona sim na prática, já que as crianças são as que mais seguem as regras! Uma pesquisa feita com 131 municípios de SP constatou que, no ambiente escolar, as pessoas têm 33% menos chances de se contaminar pela COVID.

DANI FOLLONI: Durante essas visitas, como as escolas recebem vocês? Existe uma receptividade ao movimento Escolas Abertas?

LANA ROMANI: Então, as escolas nos apoiam bastante, principalmente as particulares e os professores e diretores da rede pública. Para nossa surpresa, observamos que as escolas poderiam estar fazendo mais, elas poderiam estar se unindo e trazendo mais famílias.

Porém, por outro lado, existem muitas escolas que estão indo atrás, fazendo pesquisas com os pais que querem o retorno das aulas presenciais, já que é possível funcionar com até 35% da capacidade.

DANI FOLLONI: Você tem visto uma troca de informações entre as escolas sobre as práticas que funcionam e as que não funcionam?

LANA ROMANI: Os protocolos existem, como o distanciamento, álcool em gel e o uso da máscara. O que tem acontecido é a falta de atualização dessas regras de uma forma linear, assim como acontece em outros setores. A Ciência evolui e esses protocolos também precisam evoluir.  

A regra do Governo diz que, se um aluno pegar a COVID, é necessário isolar aquele aluno, mas a classe só fecha depois do terceiro caso. Porém, a grande maioria das escolas estão fechando a sala já no primeiro caso, mas isso não está correto, não é a orientação da Vigilância Sanitária.

DANI FOLLONI: Você acha que é possível esperar toda a categoria da Educação ser imunizada para o retorno das aulas?

LANA ROMANI: Realmente, a vacinação sempre foi uma pauta do Escolas Abertas e isso foi uma conquista que a gente teve, conseguir colocar esses professores como prioridade na vacinação. Mas uma coisa precisa ficar clara: nós lutamos pela antecipação não só da categoria dos professores, mas também de toda a equipe que trabalha nas escolas e na Educação. Isso engloba a tia da cantina, o motorista do transporte escolar, a moça da faxina, o segurança, os coordenadores, a bibliotecária, enfim, todos os funcionários.

Mas a volta às aulas não pode e não deve estar ligada à vacinação de todos os profissionais da Educação, já que, infelizmente, não temos vacina disponível para todo mundo e não podemos mais esperar. É importante e deve ser sim prioridade, pois são serviços essenciais, mas não é a nossa realidade.

DANI FOLLONI: Quais foram as principais conquistas do Escolas Abertas? O que mais vocês esperam desse movimento?

LANA ROMANI: Hoje, o movimento tomou uma proporção gigantesca, estamos em 22 estados e em mais de 200 municípios, uma das maiores conquistas para nós, já que trouxe esse movimento para o conhecimento de toda a sociedade.

A  primeira grande conquista do Escolas Abertas foi ganhar uma ação contra a Prefeitura de São Paulo, fazendo com que eles provassem, lá em dezembro, tudo o que eles tinham feito e o que ainda precisava ser feito para que as escolas públicas tivessem condições sanitárias de abrir no começo de fevereiro, sob pena de multa. Outra vitória foi a alteração do Plano São Paulo, através da Ciência, provando que as escolas deveriam estar abertas em qualquer fase da pandemia.

Depois, conseguimos que o Governo mudasse o decreto, tornando as aulas presenciais essenciais, o que significa que as escolas não fecham mais. Também conseguimos levar essa pauta para a Câmara e ao Congresso Nacional através da PL 5595, e agora já está no Senado há 3 semanas, mas ainda não foi votada. Caso seja aprovada, vamos garantir que todas as escolas estejam abertas no País inteiro, seguindo os protocolos, de forma faseada.

SERVIÇO PARA IT MÃES

Para saber mais informações sobre o movimento Escolas Abertas, basta entrar em contato através do site oficial e acompanhar todas as notícias pelo Instagram @escolas.abertas.

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