O poder dos hábitos familiares


Dra Flavia Oliveira
por: Dra Flavia Oliveira
pediatra e especialista em Medicina do Estilo de Vida, autora de Pediatria 2.0. Atleta e mãe do Lucas e do Pedro

“O que você faz soa tão alto que eu não escuto o que você diz.” – Ralph Waldo Emerson 

Acredito que uma das maiores premissas dentro da parentalidade é se perguntar se, como pais, estamos sendo os adultos que queremos que nossos filhos se tornem. Crianças modelam os adultos que estão à sua volta. Curiosas que são, observam nossas atitudes tanto com os outros quanto com nós mesmos. 

Depois de mais de 20 anos cuidando de famílias, consigo observar o quanto de impacto existe, principalmente, no que não é dito, mas sim sentido. As crianças enxergam o mundo com suas lentes de vida, com sua experiência. Imagine que essas lentes ainda estão sendo formadas e que a interpretação do que é visto ainda precisa de ajustes e validação. 

Inúmeras vezes, no consultório, escuto dos pais que o filho se cobra demais nos estudos, mas que eles não entendem, pois, para eles, não existe cobrança. Questiono: “Mas vocês se cobram muito no trabalho?” A resposta é sempre afirmativa. Não precisa ser algo diretamente direcionado à criança; basta ela observar e interpretar à sua própria maneira. 

Ações valem mais que palavras. Como cobrar que uma criança seja ativa se os pais estão sedentários? Como ajustar a alimentação se a casa acaba sendo guiada pelo impulso alimentar? Como reduzir o uso de telas se os pais não tiram os olhos da tela enquanto o filho pede por atenção? 

Ações valem mais que palavras. A atividade física aqui em casa é parte da nossa rotina (foto: arquivo pessoal)

A família é o paciente. Todos devem andar na mesma estrada. Quem lidera esse caminho não pode ser a criança, pois ela ainda não possui as ferramentas necessárias para decidir o que precisa — ela decide pelo desejo. Como sempre digo: criança tende a fazer o que quer; o adulto tem que fazer o que precisa ser feito. 

Isso não significa que ser modelo é sinônimo de perfeição — até porque a perfeição não existe. Mas ser modelo significa tentar, a cada dia, fazer escolhas melhores, recalcular a rota quando for necessário, admitir erros e, assim, entender na pele as dificuldades de buscar uma vida mais saudável e equilibrada. 

Equilibrar não é dar conta de tudo — mas isso fica para o próximo texto. 

  • Dra Flavia Oliveira

    Médica pediatra e neonatologista, especialista em Medicina do Estilo de Vida. Pós-graduada em Nutrologia, com formação em sono materno-infantil e Coach de Saúde e Comunicação, integra os cinco pilares da medicina do estilo de vida à prática clínica. É autora de Pediatria 2.0 e coautora das obras Médicos na Cozinha, Médicos Atletas e Medicina do Estilo de Vida – evidências e práticas para a saúde física e mental.

Data da postagem: 7 de abril de 2026

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