Pediatra brasileira cria programa para apoiar mães e famílias que vivem fora do Brasil

Viver fora do Brasil transforma rotinas, amplia horizontes e redefine prioridades. Mas, quando o assunto é maternidade, muitas mulheres percebem que algo essencial fica pelo caminho. O acolhimento, a escuta e a forma próxima como o cuidado infantil é conduzido no Brasil é bem diferente dos cenários que encontramos ao buscar cuidados de saúde lá fora. Foi a partir dessa ausência, sentida na prática, que a pediatra e colunista do It Mãe, Betina Lahterman, criou o projeto Brasil com o Mundo. O projeto prevê que Betina seja um canal para que mães busquem ajuda e orientação e saibam melhor quando realmente buscar ajuda médica especializada ou um hospital.
“A gente muda de país, muda de sistema, muda de idioma, mas a maternidade continua pedindo colo, orientação e vínculo”, afirma Betina. Segundo a pediatra, a ideia surgiu ao ouvir relatos recorrentes de famílias brasileiras que vivem fora e sentem falta do jeito acolhedor do atendimento pediátrico no Brasil.
Como é o programa Brasil com o Mundo
O Brasil com o Mundo propõe um acompanhamento pediátrico personalizado para mães e pais brasileiros em diferentes fases da maternidade, da gestação à infância e adolescência. O foco está na escuta individualizada, na compreensão da rotina real da família e na orientação preventiva baseada em evidências, respeitando sempre os limites da atuação médica à distância.

“Eu não queria oferecer consultas soltas. Queria acompanhar essas famílias, entender o contexto, antecipar dúvidas e ajudar na tomada de decisões, mesmo estando longe”, explica. Para Betina, o cuidado começa antes dos sintomas e passa pela construção da confiança entre a família e o pediatra. “São pequenas situações como quando o bebê está coma dor de barriga e você fica em dúvida se é uma emergência médica. Quero ser essa ponte, essa pessoal que a mãe pode consultar. Se estou em contato sempre, se entendo a dieta dessa família, o ambiente, posso orientar com muito mais tranquilidade”, explica.
O projeto teve início com um piloto que envolveu mães de bebês, adolescentes e gestantes que vivem em países como Alemanha e Estados Unidos. A experiência reforçou a percepção de que existe uma demanda concreta por esse tipo de acompanhamento. “Quando a gente oferece um espaço de escuta verdadeira, as angústias diminuem e as decisões ficam mais claras”, diz.
O acompanhamento pode começar ainda durante a gestação, prática comum no Brasil por meio da consulta pré natal pediátrica. Para Betina, esse momento é fundamental para alinhar expectativas e preparar emocionalmente a família. “É quando a gente conversa sobre o parto, sobre o nome do bebê, sobre o que já está pronto e também sobre o que pode precisar mudar pensando na saúde materno infantil.”
Ao longo do acompanhamento, as famílias recebem orientações contínuas e mensagens periódicas, sempre com a clareza de que o serviço não substitui atendimentos de urgência. “Eu deixo muito claro que não é um canal para emergência. Urgência é sair com a criança naquele momento para ser atendida. O meu papel é preparar, orientar e dar segurança”, pontua.
Programa visa reconhecer sinais de alerta
A proposta é atuar nos bastidores da rotina familiar, ajudando mães e pais a reconhecer sinais de alerta, prevenir acidentes e lidar com situações comuns da infância, como febre, quadros respiratórios e adaptação à creche. “Isso é medicina preventiva. É o que mais me encanta na pediatria”, afirma.
Além das famílias que já vivem fora do Brasil, o projeto também contempla aquelas que estão em processo de mudança. Desde o momento em que surge a proposta de trabalho até a adaptação ao novo país, o acompanhamento ajuda a entender como funcionam os sistemas de saúde e a atravessar a transição com mais leveza. “Não é só sobre a criança. É sobre proteger emocionalmente essa família inteira”, destaca.
Entre países, fusos horários e culturas diferentes, a proposta de Btetina e do programa o Brasil traduz o cuidado brasileiro para além das fronteiras, mantendo vivo o vínculo, a escuta e a sensibilidade que fazem diferença no início da vida.









