“Os adolescentes são a geração mimimi”. Será?

Hoje, muita gente diz que os adolescentes de agora fazem parte da tal “geração mimimi”.
Que são jovens que nunca apanharam.
Que vivem grudados nas telas.
Que não têm limites.
E que, por isso, seriam frágeis demais para o mundo.
Mas será que estamos olhando com os olhos certos?
Porque talvez essa não seja a geração mais fraca…
Talvez seja a geração mais sensível.
E sensibilidade, ao contrário do que muitos aprenderam, não é fraqueza, é consciência.
E consciência incomoda.
Há alguns anos se falava das chamadas crianças índigo, crianças intuitivas, profundas, questionadoras, com um senso quase natural de justiça e propósito.
Crianças que não aceitavam respostas vazias.
Que não se dobravam a regras sem sentido.
Que queriam um mundo mais verdadeiro.
Pois essas crianças cresceram.
E hoje estão aqui: adolescendo.
Talvez a geração que muitos chamam de “mimimi” seja, na verdade, a primeira geração que se permite sentir e sentir sem vergonha.
A primeira que fala da própria dor.
A primeira que tenta resolver conflitos com respeito e diálogo.
A primeira que se recusa a normalizar violências pequenas ou grandes.
E toda geração que começa a questionar o que parecia sólido, antigo, “do jeito que sempre foi”… é inevitavelmente chamada de fraca.
Porque mudar exige coragem.
E coragem quase sempre nasce da sensibilidade.
Nós não sabemos onde isso vai dar.
Não sabemos se essa geração vai realmente reduzir a violência, transformar estruturas, mudar o mundo.
Mas sabemos de algo profundo:
eles estão tentando (sentindo) fazer diferente, de maneira intuitiva, ou será porque tiveram suas infâncias respeitada, algo incomum aos seus pais.
E tentar diferente já é um ato de força.
Como mães, cada uma de nós, temos um papel precioso:
podemos tratar essa sensibilidade como problema…
ou podemos reconhecê-la como potência.
Podemos ser o solo onde esses adolescentes intensos, profundos, muitas vezes incompreendidos, criam raízes firmes para florescer num mundo menos duro e mais humano.
E talvez, no futuro, a tal “geração mimimi” seja lembrada como a geração que teve coragem de ser verdadeiramente humana.
A que ousou sentir.
A que ousou se importar.
A que ousou usar dizer “você me feriu”.
Sendo assim…
ainda há muita esperança de que a “geração mimimi” transforme o mundo em um lugar melhor.









