“Os adolescentes são a geração mimimi”. Será?


Lúcia Paschinelli
por: Lúcia Paschinelli
Psicóloga clínica especialista em relações familiares, adolescência e vínculos afetivos e mãe do Leonardo.
(foto: Freepik)

Hoje, muita gente diz que os adolescentes de agora fazem parte da tal “geração mimimi”.
Que são jovens que nunca apanharam.
Que vivem grudados nas telas.
Que não têm limites.
E que, por isso, seriam frágeis demais para o mundo.
Mas será que estamos olhando com os olhos certos?
Porque talvez essa não seja a geração mais fraca…
Talvez seja a geração mais sensível.
E sensibilidade, ao contrário do que muitos aprenderam, não é fraqueza, é consciência.
E consciência incomoda.

Há alguns anos se falava das chamadas crianças índigo, crianças intuitivas, profundas, questionadoras, com um senso quase natural de justiça e propósito.
Crianças que não aceitavam respostas vazias.
Que não se dobravam a regras sem sentido.
Que queriam um mundo mais verdadeiro.
Pois essas crianças cresceram.
E hoje estão aqui: adolescendo.
Talvez a geração que muitos chamam de “mimimi” seja, na verdade, a primeira geração que se permite sentir e sentir sem vergonha.
A primeira que fala da própria dor.
A primeira que tenta resolver conflitos com respeito e diálogo.
A primeira que se recusa a normalizar violências pequenas ou grandes.
E toda geração que começa a questionar o que parecia sólido, antigo, “do jeito que sempre foi”… é inevitavelmente chamada de fraca.
Porque mudar exige coragem.
E coragem quase sempre nasce da sensibilidade.
Nós não sabemos onde isso vai dar.
Não sabemos se essa geração vai realmente reduzir a violência, transformar estruturas, mudar o mundo.
Mas sabemos de algo profundo:
eles estão tentando (sentindo) fazer diferente, de maneira intuitiva, ou será porque tiveram suas infâncias respeitada, algo incomum aos seus pais.

E tentar diferente já é um ato de força.
Como mães, cada uma de nós, temos um papel precioso:
podemos tratar essa sensibilidade como problema…
ou podemos reconhecê-la como potência.
Podemos ser o solo onde esses adolescentes intensos, profundos, muitas vezes incompreendidos, criam raízes firmes para florescer num mundo menos duro e mais humano.
E talvez, no futuro, a tal “geração mimimi” seja lembrada como a geração que teve coragem de ser verdadeiramente humana.
A que ousou sentir.
A que ousou se importar.
A que ousou usar dizer “você me feriu”.

Sendo assim…
ainda há muita esperança de que a “geração mimimi” transforme o mundo em um lugar melhor.

  • Lúcia Paschinelli

    Psicóloga clínica na abordagem Analítica Junguiana, com mais de 23 anos de experiência, Lúcia é especialista em relações familiares, casais em reconexão, desenvolvimento emocional e orientação parental para a adolescência. Atua em momentos de transição e crise, facilitando a reconstrução de vínculos e o encontro com novas formas de convivência. Palestrante, mentora de mães e autora de conteúdos que unem ciência, escuta profunda e alma, Lúcia também é fundadora de uma ONG de proteção animal e mãe do Leonardo. Compartilha sua vivência real de maternidade e profissão com sensibilidade, bom humor e profundidade. Ela acredita que todo relacionamento pode ser ressignificado, desde que haja presença, coragem e escuta verdadeira. “O vínculo salva.”

Data da postagem: 11 de janeiro de 2026

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