Como a Astrologia ajuda a lidar com as perdas
A vida é feita de ciclos e nada melhor do que a Astrologia para compreender esse fluxo. Todo fim é um (re)começo, cada ciclo que começa tem etapas pré-estabelecidas e, sabemos, todo começo tem seu fim. Infelizmente, isso inclui a vida.
Nascimento, envelhecimento e morte não são diferentes dos ciclos lunares que acontecem todos os meses, ou do ciclo de Saturno, que leva quase 30 anos para seu retorno. Cada um desses ciclos nos prepara para a passagem do tempo e a despedida.
Minha filha tem quase 12 anos e já teve mais perdas do que eu podia imaginar. Já foram 11 gatos (10 nos últimos 3 anos, 7 do ano passado pra cá). Outro dia ela me falou: mãe, já perdi um gato para cada ano de vida. Meu coração doeu. Também perdemos familiares próximos, bem próximos. Tio e tia que eram como avô e avó. A senhora que trabalhou a vida toda na casa da minha mãe. As melhores amigas da minha mãe. E tudo em um período muito curto de tempo. Tão curto que nem dá tempo de superar um luto, já temos outro para viver.
Os momentos de perda são bem demarcados em um mapa astrológico. Os ciclos apontam inícios, desenvolvimentos e finalizações. Determinados trânsitos astrológicos não apenas nos contam que é fase de fechamentos e despedidas, como nos auxiliam sobre como viver cada um desses momentos. Tem nossos mapas natais individuais também, claro, que mostram, na base, como cada um de nós reage a um processo de despedida e luto. Na prática, olhamos essa combinação: quem somos, como estamos e como está o momento e, assim, compreendemos como viver melhor cada processo.
Despedidas e lutos não são feitos apenas de perdas de pessoas, ou animais de estimação, por morte. Grandes mudanças e, por vezes, até mudanças menores, são descritas como processos de “morte” e luto. Por exemplo, minha filha não se despediu da primeira escola. A pandemia atravessou essa história e, de quando ela foi para casa até a mudança de escola, nunca mais voltou para o espaço que ela tanto amava. A mudança da amiga de escola ou da outra muito amiga para outro país, também foram processos de despedida. Duros, intensos e transformadores.
Como astróloga, sei que minha filha já nasceu com um mapa que traria perdas, lutos, mudanças importantes, desde cedo. Mas também sei que ela nasceu com força para encarar, lidar e superar, talvez até com mais maturidade do que eu gostaria.
Como mãe, meu coração dói duplamente a cada perda. Sofro minhas perdas, meus lutos. E os lutos da Luiza. Quando perdemos um gato, sinto também o luto dos outros gatos, que sentem as perdas também.
Neste momento no qual todos nós, em casa, estamos com trânsitos desafiadores de mortes, perdas e lutos, saber como cada um reage emocionalmente também tem sido importante. E como cada um dos planetas está sendo tocado. E por quanto tempo.
Porque lutos não são iguais. E a forma de agir e reagir muda muito. Depende do signo da nossa lua, do que temos na casa 8 (que, entre outras coisas, fala de morte, transições e superações), do que está sendo tocado em nosso mapa nesse momento e como esses ciclos todos se entrelaçam.
Por aqui, infelizmente, ainda temos uma fase longa pela frente. São muitos pets e familiares envelhecendo ao mesmo tempo. Mas saber disso também me dá forças ao dimensionar como conduzir minha energia. Conhecer as nuances astrológicas da minha filha me oferece sabedoria para compreender que determinadas atitudes e reações são, na verdade, dor, luto, sofrimento. E que precisam de carinho, acolhimento e presença.
Saber sobre como os ciclos se renovam, também é de grande valia. Afinal, nunca é só uma coisa acontecendo na vida e, mesmo que essa seja uma fase de fins de ciclo, outros ciclos se sucedem e, assim, a vida acontece.
Minha filha, sagitariana de Sol e Lua, nasceu com Mercúrio conjunto a Saturno em Escorpião e desde pequena queria conversar sobre esses assuntos. Talvez, de alguma forma, parte dela já soubesse que precisaria ser madura para atravessar esse momento. E, saber que isso era importante para ela, também nos ajudou a ter todas as conversas que se fizeram necessárias. Com todo afeto que o Ascendente em Câncer dela também precisa.
De um jeito ou de outro, não há como fugir da morte, pois seria fugir da vida. Mas saber como abordar e lidar sem dúvida é o que muda a história. A nossa e das nossas crianças. E isso torna tudo mais leve. Porque a vida sempre continua.








