Maternidade na Finlândia: da Baby Box ao dia a dia das mães


Caroline D'Essen
por: Caroline D'Essen
Mãe de duas, escritora e mentora dedicada a ajudar pais e líderes a transformarem suas vidas com aventura, amor e propósito
Na Finlândia, famílias à espera de um bebê recebem uma baby box, caixa com dezenas de peças de roupa e itens de cuidados, que também pode ser usada como o primeiro berço do bebê (foto: arquivo pessoal)

Numa caixa de papelão. É assim que muitos bebês começam a vida na Finlândia. Não é descuido dos pais, nem falta de recursos. É o famoso “baby box” – um kit oferecido pelo Estado a quase todos os novos pais, com dezenas de peças de roupa e itens de cuidados, pensado para que cada criança tenha um começo de vida tão igual quanto possível. A própria caixa vem com um colchão e pode ser usada como o primeiro berço do bebê, um símbolo simples de uma sociedade que leva a sério a ideia de que ninguém deve ficar para trás.

O baby box surgiu nos anos 1930, quando a Finlândia tinha mortalidade infantil alta e queria incentivar o pré‑natal: para receber a caixa, a grávida precisava se consultar cedo, garantindo acompanhamento médico. Décadas depois, o país se tornou referência mundial em saúde materno‑infantil, e o kit continua sendo oferecido como um direito quase universal: as famílias podem escolher entre a caixa ou um subsídio em dinheiro, mas a maioria ainda opta pelo pacote cheio de simbologia.

“Quando você está no meio da sua gravidez, você pode pedir a sua baby box online e, depois de alguns dias, ir buscar no correio.”, me explicou uma das mães com quem conversei.

Além disso, o pré‑natal e o acompanhamento do bebê são feitos nas clínicas públicas de saúde materno‑infantil, chamadas Neuvola, gratuitas e usadas por praticamente todas as famílias do país. Essas clínicas existem há mais de 100 anos e oferecem consultas periódicas na gravidez e nos primeiros anos de vida da criança.

Ao mesmo tempo que ouvi coisas incríveis sobre o sistema de apoio finlandês – como o fato do governo remunerar a mãe que decide cuidar do filho em casa ao invés de mandar para creche (“kotihoidontuki”) – também teve algo que escutei de todas as entrevistadas: a solidão.

“Os finlandeses tendem a achar que, quando você toma uma decisão, precisa assumir sozinho essa responsabilidade e lidar com todas as consequências que esta decisão traz consigo. Aqui, a expectativa é de que cada mãe seja capaz de sobreviver à maternidade sozinha”, me contou Hila Le, mãe de três crianças.

“Apesar de termos um sistema de saúde excelente, eu acredito que ainda é preciso muito mais apoio em relação aos sentimentos da mãe, desde a gravidez até os primeiros meses como mãe, pois essa jornada pode sim ser muito solitária”, desabafou Tiina Kaarina Hemming, também mãe de três.

O desejo das mães que escutei é que a sociedade finlandesa tenha um pouco mais de empatia pelas mães e não apenas ofereça um sistema de saúde incrível. 

“Seria tudo tão menos difícil para as mães finlandesas se todos tivessem mais empatia com as mães, que fossem mais tolerantes com uma criança que grita em público ou que não segue as regras como os adultos.”, explicou uma das mães que preferiu não ser identificada pelo nome.

“Queria que as pessoas nos julgassem menos e acolhessem mais.”, conclui Eeva, mãe de uma menina de dois anos.

Curiosidades:

  • População: Cerca de 5,6 milhões de habitantes
  • Idade média na primeira maternidade: 29–30 anos (entre as mais altas idades médias de primeira maternidade do mundo)
  • Taxa de fertilidade total: 1,3 filhos por mulher
  • Licença maternidade / parental: Cada progenitor tem direito a cerca de 6,6 meses de licença remunerada (164 dias), com uma parte transferível ao outro, além de um período específico de licença de gravidez antes do parto.
  • Taxa de mortalidade infantil: Em torno de 1,8–2,0 mortes por 1.000 nascidos vivos, (entre as mais baixas do mundo)
  • Crianças menores de 3 anos em creches formais: Cerca de 48% 
  • Mães no mercado de trabalho: em torno de 80% ou mais para mães com crianças pequenas
  • Caroline D'Essen

    Nascida em São Paulo, Caroline d’Essen vive em Berlim. Com uma trajetória marcada pela inquietude e curiosidade, ela deixou o Brasil aos 25 anos para explorar o desconhecido em Moçambique, onde viveu e trabalhou como professora universitária de jornalismo. Morou também em diversos países, como Austrália, Dinamarca, Holanda, EUA, Inglaterra e Portugal. Com mais de 15 anos de experiência no terceiro setor, hoje é escritora e mentora dedicada a ajudar pais e líderes a transformarem suas vidas com aventura, amor e propósito. Mãe de duas filhas, equilibra a vida familiar com a paixão por viagens e conexões humanas.

Data da postagem: 24 de março de 2026

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