Como evitar saias-justas nos grupos de mães do Whatsapp


Isabel Malzoni
por: Isabel Malzoni

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Nas conversas virtuais com outras mães, melhor ficar de fora das polêmicas (Foto: CrayonStock)

Não há dúvida de que o Whatsapp é uma maravilha da comunicação moderna. Permite que você troque mensagens, imagens, vídeos e contatos instantânea e gratuitamente e ainda possibilita a formação de grupos de conversa. Os grupos, aliás, tornaram-se febre. É difícil alguém que não participe de algum(ns). Com as mães não podia ser diferente: surgiram os de mães da classe, do clube e até da rua, que substituem a antiga troca de telefones. Mas, se por um lado facilita o contato com pessoas de interesses parecidos, por outro é um convite para saias-justas. Já parou para pensar no potencial de gafes e confusões? A psicoterapeuta Fernanda Grimberg ensina como evitá-las a seguir.

1) Só adicione quem quiser mesmo

O convite para participar de um grupo do Whatsapp (“zap-zap” para os íntimos) é, na verdade, uma imposição. Quando você vê, já faz parte, e não rola sair à francesa. Então só chame quem tiver realmente demonstrado interesse em participar. Que é exatamente o oposto do que aconteceu com a paisagista Renata*, 33, mãe de dois meninos de 2 e 3 anos. Ela foi “convidada” para integrar o grupo de mães da rua (não bastasse os grupos das salas de cada um dos filhos nas escolas atuais e antigas dos quais ela já fazia parte), mas todo dia ensaia desligar-se dele. “São cerca de 30 mensagens por dia, de mulheres que praticamente não conheço, e sempre sobre assuntos de bebês menores do que o meu. É uma chatice, mas tenho vergonha de simplesmente sair”, diz.

O que fazer: Os grupos de mensagens, e a internet de maneira geral, são uma nova maneira de se comunicar. Rejeitar o convite do participar do grupo vai passar a impressão de que você é inacessível. Mas participar não significa que precisa ter voz ativa. E depois de duas semanas em silêncio é mais fácil explicar a sua saída por falta de tempo, ou algo assim, sem ser indelicada.

2) Menos é mais – mesmo!

Excesso de mensagens sempre pega mal. Pense que, além das suas, todas aquelas pessoas recebem ainda mensagens do marido, da mãe, do chefe, das amigas… E muitas vezes estão no meio de uma reunião, botando o bebê para dormir, tentando almoçar em paz… Escreva, mande fotos ou mesmo áudios se realmente tiver algo a dizer.

O que fazer: É importante transpor para os grupos as mesmas regras de convivência que usamos em nosso dia a dia, como por exemplo, evitar ligar para alguém depois de certo horário ou repetidas vezes. Com o Whatsapp é a mesma coisa.

3) Evite polêmicas/confissões/opiniões fortes

Eu sei que a conversa está se desenrolando ali no seu celular e que algumas daquelas pessoas são até suas amigas. Mas o mais provável é que você não tenha grande afinidade com todo mundo (afinal, não estamos falando dos grupos das melhores amigas, daí a história é diferente) e muito menos compartilhe as mesmas opiniões. Então, uma boa pedida é guardar posicionamentos pessoais para fóruns mais íntimos. Uma mãe do grupo do qual participa a decoradora Carina*, 34, mãe de um menino de 3 anos e uma menina de 1, poderia ter evitado uma briga entusiasmada recentemente. O motivo da discórdia foi o brigadeiro oferecido na escola em um aniversário infantil. Uma mãe do grupo não gostou que outra serviu a guloseima numa festinha e compartilhou sua opinião com o grupo. “É claro que nos dividimos entre as que achavam os brigadeiros inofensivos e as que apoiavam aquela mãe. Só que todo mundo sabia quem era quem e foi constrangedor”, conta Carina.

O que fazer: Expor o outro em um grupo, que é um fórum público, chega a ser antiético. Não podemos nos esconder atrás do anonimato da internet. Por que não resolver o problema com a mãe que levou o brigadeiro numa conversa olho no olho? Fica bem mais fácil de se entender. Ou melhor, que tal expor a opinião para a escola?

4) Lembre-se, não somos amigas

Os grupos podem ser um canal para você se aproximar mais de outras mães e até criar um vínculo. Podem. Mas nem sempre isso acontece. “No grupo da sala da minha filha havia uma mãe que eu mal conhecia, mas que vivia querendo forçar uma amizade. Naquele espaço nós trocávamos convites para as festinhas de aniversário, falávamos sobre os passeios, etc. Mas ela sempre ia além, mandava “bom dia”, chamava todo mundo para lanches na casa dela. No final, as pessoas nem respondiam mais direito e eu sentia vergonha alheia”, recorda Aline*, mãe de uma menina de 5 anos.

O que fazer: Os grupos criam uma sensação de vínculo realmente, mas ninguém é obrigado a virar best friend forever de ninguém. E dá pra lidar com essa saia-justa de um jeito elegante. Se você não está interessada em aprofundar a amizade com alguém, em vez de ignorar, melhor responder dando indícios de que ainda não é o caso, que as pessoas estão se conhecendo e quem sabe numa próxima.

5) Grupos virtuais são propícios para mal-entendidos, atenção!

Mesmo tomando todas as precauções acima, é possível que surjam desentendimentos. Isso acontece em qualquer grupo de pessoas, que dirá quando elas se comunicam por escrito. Foi o que aconteceu no pequeno grupo que Juliana* criou com algumas mães da sala de sua filha, uma menina de 6 anos. Por causa de questões comportamentais, Juliana se indispôs com a escola e decidiu matriculá-la em outro lugar. Com as providências tomadas, compartilhou a decisão com elas no Whatsapp, sem entrar em detalhes. Mas a esquiva do assunto levou algumas das participantes a achar que era uma crítica à escola e o assunto foi parar na reunião de pais, da qual Juliana não participou. O que gerou um bom estrago nas relações dela não só com a escola, mas também com algumas das mães. “Olha, agora só relaxo e converso pelo Whatsapp com a família e algumas poucas amigas, mas longe dos grupos. Porque o que começou com a intenção de aproximar as pessoas acabou me causando sofrimento. Hoje, aconselho cautela”, desabafa Juliana.

O que fazer: A comunicação escrita potencializa, sem dúvidas, os mal-entendidos. Portanto, pense e esfrie a cabeça antes de escrever qualquer coisa. É normal que as pessoas queiram saber mais quando se trata de um assunto que vocês tenham em comum. Como falar pela metade frequentemente gera confusão, melhor não entrar no assunto. E deixar para contar sua decisão pessoalmente, num momento em que seja possível explicar melhor.

* Os nomes foram trocados a pedido das entrevistadas

  • Isabel Malzoni

    É jornalista e sócia da Editora Caixote, que publica livros infantis interativos, como Pequenos Grandes Contos de Verdade, finalista do Prêmio Jabuti. Mãe de Diego, divide-se entre os cuidados com o bebê, descobertas culinárias e muitos, muitos textos Isabel Malzoni é

Data da postagem: 1 de fevereiro de 2016

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