Conheça marcas que oferecem brinquedos voltados ao público TEA
Nos últimos anos, uma mudança tomou conta do universo dos brinquedos. Marcas que antes olhavam para o público infantil de forma genérica agora dedicam atenção especial às crianças com Transtorno do Espectro Autista. A aposta está em produtos que auxiliam no desenvolvimento motor, na atenção e na regulação sensorial, unindo diversão e funcionalidade.
Dados do Censo do IBGE mostram que 2,4 milhões de pessoas declararam diagnóstico de autismo no Brasil, e estimativas internacionais apontam que 1 em cada 31 crianças pode estar dentro do espectro. Esse cenário tem feito com que marcas como Buba, Bupbaby e Cuca Toys repensem seus catálogos para trabalhar a inclusão de maneira direta.
Referência em puericultura leve, a Buba deu um passo inédito no setor e lançou o Selo Produto Inclusivo, uma curadoria feita em parceria com a neurologista pediatra Dra. Estefani Ortiz, especialista em TEA e TDAH. Cada item que recebe o selo foi avaliado para estimular cognição, coordenação motora, comunicação e segurança. De abafadores de ruído a torres de atividades, a linha mostra que o acolhimento começa nos pequenos detalhes do dia a dia.



Na büpbaby, a mesa de atividades Discoverosity 3 em 1 da Skip Hop, que permite diferentes estímulos sensoriais e motores em alturas ajustáveis, está entre os itens mais procurados. Ao lado dela, o brinquedo montessorianoPequeno Desbravador, um livro interativo de atividades que trabalha encaixe, textura e coordenação, também lidera a preferência de quem busca produtos com propósito.

Já na Cuca Toys, os favoritos são os brinquedos que estimulam a coordenação motora, a memória e os desafios de lógica, mostrando que o brincar com intenção vai muito além do entretenimento passageiro.





Para a psicóloga Nataly Martinelli, autora da série Enfrentando com Coragem, os brinquedos mais valiosos para crianças autistas não são os que oferecem mais estímulos, mas os que conseguem tornar o mundo mais compreensível. Em um contexto onde o processamento sensorial e a organização motora podem ser desafiadores, um brinquedo bem escolhido deixa de ser um mero objeto e passa a funcionar como uma ponte. “Ao encaixar uma peça, empilhar blocos ou imitar uma ação, a criança exercita movimentos precisos, aprende a sustentar a atenção e ensaia sequências que mais tarde farão parte de atividades cotidianas como escovar os dentes, vestir-se ou seguir pequenas rotinas. E o melhor é que tudo isso acontece dentro da segurança da brincadeira, sem a rigidez de uma tarefa imposta”, diz.
Pelos olhos de uma mãe
Kelly Folhadella é fisioterapeuta e mãe do Erick, de 7 anos e diz que usou sua experiência profissional e as suas formações em TEA para entender o que ajudava Erick a lidar melhor com suas dificuldades e entendeu que poderia usar o hiperfoco da criança a favor de seu desenvolvimento. Enquanto Erick ainda era pequeno, dominava o alfabeto e os números com menos de dois anos. Em vez de restringir, Kelly apostou nos números e letras para atrair a atenção e o olhar do seu filho enquanto brincava com massinhas, slimes e brinquedos de alinhavo para trabalhar, ao mesmo tempo a motricidade fina, uma área que costuma exigir atenção especial. “Aos três anos e meio, Erick já estava alfabetizado e escrevendo, e com contato visual e interesse social mais desenvolvidos. Hoje, entre os preferidos dele estão os jogos da Alcance, uma clínica especializada em TEA que desenvolveu uma linha própria de produtos com foco em atenção, memória, e estímulo de linguagem”, diz.


Nataly Martinelli afirma que a situação que Kelly viveu em casa é o que costuma acontecer com diversas outras famílias. “Brincar com propósito não é apenas ocupar o tempo, é criar condições para que a criança experimente, em um contexto seguro e significativo, habilidades que mais tarde precisarão aparecer fora da brincadeira. É assim que o brincar se torna, ao mesmo tempo, um gesto de afeto e um gesto de futuro”, conclui.








