Prematuridade por intervenção médica chega a 40% no país


Malu Echeverria
por: Malu Echeverria

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Pesquisa revelou que 55% das gestações não são planejadas no Brasil (Foto: Freeimages)

O excesso de intervenções obstétricas e o baixo uso de boas práticas na atenção ao parto continuam no Brasil. De acordo com novos dados da pesquisa Nascer no Brasil: inquérito nacional sobre parto e nascimento, realizado pela Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), revelam dados alarmantes. Quanto às formas de ocorrência, a prematuridade espontânea (com ou sem ruptura de membranas) correspondeu a 59%. Já a prematuridade terapêutica (quando provocada por intervenção médica por indução do parto ou cesariana anteparto) foi de 41%, e quase a sua totalidade (90%) ocorreu por cesariana sem trabalho de parto – nos países desenvolvidos, essa taxa é de 30%.

O estudo, que foi divulgado na quinta-feira (01/12), tem como base um inquérito nacional realizado em 191 municípios, com 23.894 mulheres, em hospitais e maternidades. No geral, a taxa de prematuridade brasileira (11,5%) é quase duas vezes superior à observada nos países europeus, sendo 74% desses prematuros tardios (34 a 36 semanas gestacionais). Os cientistas acreditam que muitos dos casos de prematuridade terapêutica sejam de bebês retirados sem indicação médica, em mulheres com cesarianas agendadas ou avaliação incorreta da idade gestacional.

A pesquisadora Maria do Carmo Leal, coordenadora do estudo, alertou para as possíveis consequências. “A prematuridade se constitui no maior fator de risco para o recém-nascido adoecer e morrer não apenas imediatamente após o nascimento, mas também durante a infância e na vida adulta. Os prejuízos extrapolam o campo da saúde física e atinge as dimensões cognitivas e comportamentais, tornando esse problema um dos maiores desafios para a Saúde Pública contemporânea”, admitiu. Segundo a pesquisadora, A prematuridade terapêutica esteve associada à assistência privada ao parto e à gravidez em idade mais avançada, condições características de populações que apresentam melhor nível de emprego formal, escolaridade e renda. “Foi maior na Região Sudeste e mais frequente nas capitais, cidades que têm maior número de hospitais de referência para atendimento a mulheres e recém-nascidos de risco”, completou Maria do Carmo Leal.

Gravidez não planejada

 A prevalência de gravidez não planejada no Brasil é de 55,4% das puérperas (parturiente). De acordo com a pesquisa, 25,5% das mulheres preferiam esperar mais tempo para engravidar e 29,9% simplesmente não desejavam engravidar em nenhum momento, atual ou futuro. Um perfil bastante distinto, de acordo com a pesquisadora, foi observado entre as mulheres que desejavam engravidar em relação àquelas que queriam esperar mais tempo ou não queriam engravidar. Comparando-se os três grupos, as mulheres brancas (52,7%), de maior escolaridade (59,3%), com idade acima de 35 anos (52%) e que tem relações estáveis (casadas ou com companheiro – 49,5%) são as que planejam adequadamente sua vida reprodutiva, isto é, escolhem qual o melhor momento de engravidar. “Melhor compreender esse fenômeno é um desafio para a Saúde Pública, uma vez que quase 70% das mulheres em idade de 15 a 49 anos e com vida sexual ativa utilizam métodos contraceptivos”, reconheceu Maria do Carmo.

Assistência ao parto

Com relação ao parto assistido por enfermeiras/obstetrizes, o Nascer identificou que apenas 8% do total de partos no Brasil são assistidos por enfermeiros. Na França e Inglaterra, são 85%. “No setor privado, essa porcentagem chega a 0,5%”, disse. Para os partos vaginais, as enfermeiras/obstetrizes atendem mais nas Regiões Norte (24,1) e Sudeste (23,5), com uma pequena diferença: “Essas profissionais estão mais presentes na Região Norte pela ausência de médicos e, na maioria dos casos, não têm tanta formação em obstetrícia, diferente do Sudeste, onde há capacitação. A participação direta de enfermeiras na assistência ao parto proporcionou o uso de boas práticas e intervenções obstétricas em maternidades”, concluiu.

Com informações da Agência Fiocruz de Notícias

  • Malu Echeverria

    Jornalista, mãe do Gael e redatora-chefe do It Mãe. Para ela, é essencial colocar a máscara de oxigênio primeiro na gente, depois na criança

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