Outono: como prevenir resfriados, gripe e bronquiolite em crianças

Entenda por que as infecções respiratórias aumentam no outono e quais medidas realmente ajudam a proteger bebês e crianças.


Dra Betina Lahterman
por: Dra Betina Lahterman
Pediatra pela Unifesp. Com um olhar ampliado do crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes. Mãe de 1, doutora de muitos.

Você percebe que ele chegou antes mesmo de olhar o calendário.

A manhã fica mais fresca.
O casaco passa a morar na mochila.
As janelas ficam mais tempo fechadas.
E, de repente, surge uma coriza aqui, um espirro ali.

No consultório pediátrico, essa mudança é muito clara. O outono não altera apenas a paisagem. Ele muda o padrão das doenças respiratórias nas crianças.

Entender o que acontece no organismo nessa estação ajuda os pais a reduzir a ansiedade e agir de forma mais preventiva.

Por que as crianças ficam mais doentes no outono?

Durante o outono ocorre uma combinação de fatores que favorece as infecções respiratórias infantis.

A queda da umidade do ar faz com que as vias respiratórias fiquem mais sensíveis. A mucosa nasal, que funciona como uma primeira barreira de defesa contra vírus, tende a ressecar e perde parte de sua eficiência.

Além disso, nessa época do ano:

  • passamos mais tempo em ambientes fechados
  • há maior circulação de vírus respiratórios
  • crianças permanecem mais tempo em escolas e creches

Entre os vírus mais comuns, estão:

• resfriados causados por rinovírus
• gripe (influenza)
• Vírus Sincicial Respiratório (VSR), a principal causa de bronquiolite em bebês.

Por isso, durante o outono e inverno, observamos aumento de: 

  • resfriados recorrentes 
  • bronquiolite em crianças até 2 anos
  • agudização de quadros alérgicos
  • episódios tosse persistente e chiado no peito (sibilância)

Importante lembrar

Na infância é comum a criança apresentar 6 a 10 infecções respiratórias por ano, especialmente quando começa a frequentar creche ou escola. Isso faz parte do processo natural de amadurecimento do sistema imunológico.

Como prevenir bronquiolite e infecções respiratórias no outono

O outono é uma estação em que a prevenção faz muita diferença. Pequenos hábitos ajudam a reduzir a frequência e a intensidade das infecções respiratórias.

1. Manter boa hidratação

Mesmo sem calor intenso, é importante oferecer água ao longo do dia.

2. Lavagem nasal com soro fisiológico

A lavagem nasal é uma das medidas mais eficazes para prevenção de infecções respiratórias.

Pode ser feita diariamente, principalmente antes de dormir.

A lavagem nasal:

  • remove secreções
  • reduz a carga viral
  • diminui inflamação
  • melhora a respiração
  • facilita o sono da criança

É um cuidado simples, seguro e recomendado por nós, pediatras.

3. Ventilar e umidificar os ambientes

Ambientes muito fechados favorecem a circulação de vírus.

Por isso, é importante abrir janelas permitindo as trocas de ar.

Também pode ser útil aumentar a umidade do ambiente, principalmente em dias muito secos. Algumas estratégias incluem:

  • uso de umidificadores de ar (com limpeza adequada)
  • recipientes com água no quarto
  • toalhas úmidas estendidas no ambiente

O objetivo é evitar que o ar seco irrite as vias respiratórias.

4. Vestir a criança em camadas

No outono, a temperatura varia bastante ao longo do dia.

Vestir a criança em camadas de roupa facilita o ajuste térmico conforme o clima muda. Isso evita tanto o frio quanto o superaquecimento.

Quando procurar o pediatra?

Procure avaliação médica se a criança apresentar:

  • febre por mais de 72 horas
  • prostração importante (criança muito abatida ou sem energia para as atividades habituais)
  • recusa significativa de alimentação ou líquidos
  • respiração rápida, esforço ou desconforto respiratório 
  • presença de chiado no peito

Esses sinais indicam que a criança precisa ser avaliada para orientação adequada.

Cuidar de uma criança não significa apenas agir quando ela adoece.
Significa antecipar cenários, compreender o que é esperado em cada fase e saber quando procurar ajuda.

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  • Dra Betina Lahterman

    Médica formada pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), com residência em Pediatria pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Com o foco no crescimento e desenvolvimento das crianças e adolescentes, acolhimento da família através de uma pediatria afetiva e descomplicada. Atualmente, Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) e Membro do Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Como pediatra, transita em todos os cenários da infância e adolescência participando dos momentos de conquistas e desafios. No que transmite, não só o conhecimento mas, trocas e vivências. Orienta além da questão física, resgata o brincar, o contato com a família, com a natureza e o uso responsável e compartilhado das tecnologias.

Data da postagem: 18 de março de 2026

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