Como a quarentena influencia a saúde da pele, cabelo e unhas


Dra. Carla Bortoloto
por: Dra. Carla Bortoloto
Médica especializada em dermatologia clínica e cirúrgica
Como a quarentena influencia a saúde da pele, cabelo e unhas

Em quarentena devido à pandemia do novo coronavírus (COVID-19), vivemos um período de incertezas. E, claro, isso acaba gerando muito estresse. Apesar de ser uma resposta natural do organismo às situações que envolvam perigos, por exemplo, o estresse, acaba influenciando nosso bem-estar como um todo. Pele, cabelo e unhas sentem os reflexos desses momentos, como explico a seguir.

Pele

A pele costuma sofrer bastante durante o outono e inverno, uma vez que o clima seco a torna mais ressecada e áspera. Com o “plus” do estresse – e o aumento nos níveis de cortisol (o hormônio do estresse), a hidratação natural da pele fica ainda mais comprometida, abrindo espaço para o surgimento de infecções cutâneas e alergias. Além disso, pode agravar quadros de doenças já existentes, como a psoríase, rosácea e dermatite atópica.

A elevações nos níveis de cortisol também podem levar ao aumento da oleosidade cutânea e ao surgimento – ou a piora – da acne.

O estresse favorece, ainda, o envelhecimento precoce. Novamente, o responsável é o cortisol. Sua liberação provoca a oxidação das células e, consequentemente, o aumento dos radicais livres. Resultado: pele com menos brilho, com manchas e linhas finas.

Outro dano causado pelo cortisol é a diminuição do colágeno produzido pelos fibroblastos, fazendo com que a pele perca sua elasticidade e sulcos e rugas surjam.

O cortisol inibe, ainda, a produção da melatonina (o hormônio do sono), prejudicando a capacidade da pele se regenerar.

Cabelos

Durante o período de outono/inverno a queda de cabelo é normalmente maior, devido aos fios não receberem tanta luminosidade solar. E, com a quarentena e as pessoas se expondo menos ainda ao sol, esse fenômeno se acentua ainda mais, tornando os fios fracos e opacos.

Além disso, momentos de estresse podem levar à queda de cabelo. O chamado eflúvio telógeno é uma condição em que a quantidade de folículos pilosos que estão crescendo diminui, levando à perda de cabelo. Essa queda de fios pode se iniciar até três meses após o evento estressante. Depois, o cabelo pode levar de 6 a 9 meses para voltar a crescer normalmente.

Outro fator que pode prejudicar os fios durante os dias de confinamento é a diminuição na higienização dos fios. Isso acaba aumentando o acúmulo de oleosidade nos fios, levando à perda precoce dos mesmos. Além disso, deixar os cabelos sujos por muito tempo pode favorecer o surgimento de algumas doenças no couro cabeludo, como a dermatite seborreica.

Para manter a saúde dos fios neste período de quarentena, mantenha a rotina de higienização, lavando-os em dias alternados e fazendo hidratações quinzenais, evite prender os cabelos e use o secador e a chapinha com cautela.

Mãos e Unhas

Mãos e unhas também têm sofrido bastante durante a pandemia. A começar pelo hábito (extremamente necessário) de se lavar frequentemente as mãos e também de utilizar álcool em gel 70%. Isso porque o ato de higienizar as mãos várias vezes ao dia acaba removendo a proteção natural da pele, podendo causar ressecamento, rachaduras e ferimentos. Para evitar o ressecamento, opte por sabonetes com pH neutro. Também é importante repor a barreira natural da pele com o uso de cremes para a mão com ativos, como vitamina E, ceramidas, D-pantenol, ureia e aveia.

Já as unhas, podem se tornar mais quebradiças, descamativas e com manchas e marcas. Além disso, o estresse pode levar as pessoas a desenvolver hábitos nocivos para sua saúde, como roê-las ou arranha-las. Para evitar problemas durante a quarentena, é recomendável manter as unhas bem aparadas (para não acumular sujidades), remover apenas o excesso de cutícula (nada de ir muito fundo, ok!) e evitar esmaltar as unhas (para que possam respirar).

É importante ressaltar que a prevenção do novo coronavírus (COVID-19) é dever de todos nós. Use máscara, mantenha todos cuidados relacionados à higiene e ao afastamento social.

  • Dra. Carla Bortoloto

    Médica especializada em Dermatologia clínica e cirúrgica, tricologista, professora da Pós-Graduação em Dermatologia das Faculdades BWS, Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Clínico Cirúrgica (SBDCC) e da American Academy of Dermatology (AAD)

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