Será que meu filho precisa de fono?


Patrícia Junqueira
por: Patrícia Junqueira

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Até os 5 anos, espera-se que a criança fale todos os sons corretamente (Foto: 123RF)

São muitas as situações em que uma criança pode necessitar do auxílio de um fonoaudiólogo, o profissional que atua com a comunicação humana. Todos os fatores que envolvem essa habilidade são estudados na busca de seu aperfeiçoamento, adequação, suporte e prevenção de distúrbios. Mas assim como outras áreas da saúde, a fonoaudiologia também possui especialidades. A seguir, fiz uma lista com os principais casos em que um fonoaudiólogo (desde que especializado em motricidade orofacial e alimentação infantil) pode ajudar no desenvolvimento do seu filho.

Desenvolvimento da Fala

O primeiro problema que pode surgir é o atraso no início da fala, que é percebido quando a criança articula pouco ou quase nada aos 2 anos, idade em que deveria conseguir se comunicar com frases e palavras simples, com intenção comunicativa, como por exemplo: “me dá”; “qué”, “caiu”, “nana”. Se isso não acontece, vale a pena marcar uma consulta com o fonoaudiólogo.

Entre 3 e 4 anos, seu filho provavelmente não irá falar todos os fonemas corretamente. Mas não se desespere, pois tudo depende da substituição que ele faz e da etapa em que isso acontece. A aquisição dos fonemas é gradativa e individual, mas existem crianças que podem apresentar dificuldades para adquirir algum fonema específico ou trocar um som pelo outro. Se seu filho apresenta trocas e omissões na fala que não são esperadas para faixa etária dele, e você percebe isso há mais de seis meses, procure um fonoaudiólogo.

Lembre-se de que em geral, até os 5 anos, seu filho deve falar todos os sons. Se ainda não fala, vale uma consulta também. Mas não demore tanto, pois a discriminação e produção adequada dos fonemas a partir dessa idade vai ajudá-lo na aquisição da linguagem escrita (alfabetização). Outras situações para prestar atenção:

– Seu filho (a partir de 1 ano) demonstra intenção em se comunicar oralmente, mesmo que não fale corretamente?

– Faz contato visual (a partir de 8,9 meses) quando você conversa com ele?

– Reage (desde bebê) a sons?

– Fala infantilizado apenas quando quer sua atenção?

– Tem 3 anos e ainda não é possível compreender o que ele fala?

– Apresenta trocas do tipo: / kato/ para/ gato/ , /tama/ para /dama/, /save/ para /chave/, /zelo/ para /gelo/, /fela/ para /vela/ aos 4 anos?

– Fala com a língua projetada entre os dentes nos sons com /s/ e /z/ e tem mais de 5 anos?

– Possui frênulo de língua curto?

– Tem 5 anos e ainda não é capaz de falar todos os fonemas adequadamente?

Desenvolvimento Alimentar

A alimentação da criança sempre começa com a sucção, seja no seio materno ou em mamadeira. Depois, em geral, aos 6 meses ela já pode receber outro tipo de alimentação em que necessita além de sugar, organizar os alimentos com diferentes texturas na boca e iniciar a mastigação. O desenvolvimento das habilidades necessárias para a criança comer é gradativo e depende, além das condições orgânicas do seu filho, das vivências e exposições aos alimentos que você proporcionar a ele. Você pode precisar do auxílio de um fonoaudiólogo quando seu filho apresentar:

– Dificuldade para sugar (descoordenação entre sugar/respirar/deglutir, tempo prolongado para mamar, escape do leite durante a sucção com mamadeira);

– Apresentar engasgos ou tosse durante ou após as mamadas;

– Rejeitar bicos de mamadeiras;

– Nausear ou apresentar reflexo de vômito quando você ofertar a colher (acima de 4 meses);

– Rejeitar texturas ou alimentos em grãos (acima de 6 meses);

– Não levar objetos/brinquedos ou alimentos a boca;

– Não mastigar e/ou cuspir os alimentos (acima de 7, 8 meses);

– Lamber alimentos em pedaços ao invés de mastigá-los;

– Não se interessar e/ou demonstrar nojo ou medo aos alimentos;

– Não aceitar toques ou estímulos orais.

Respiração Nasal

A respiração deve ser nasal. Dessa forma, estimula-se o desenvolvimento dos músculos e ossos da face, da arcada dentária e facilita-se a mastigação. Algumas crianças podem apresentar dificuldade em manter a respiração pelo nariz por diversas causas. Sempre é indicado que se investigue a razão por trás disso. Seu filho pode necessitar de um fonoaudiólogo quando, mesmo após ter realizado um tratamento (clinico e/ou cirúrgico) para eliminar a causa da respiração oral, ele continuar respirando pela boca. Caso observe algum (ou alguns) dos sinais a seguir em seu filho, procure um fonoaudiólogo:

– Permanece com os lábios abertos quando não está falando;

– Possui a musculatura da face (lábios, bochechas, língua) mais “flácidos”;

– Acumula saliva nas comissuras dos lábios (laterais da boca);

– Tem olheiras e face com características de “cansado”;

– Mastiga com a boca aberta e rápido;

– Apresenta o lábio inferior ressecado;

– Tem dificuldade para manter os lábios fechados, mesmo quando solicitado.

Fique sempre atenta ao modo como a criança se comunica, se alimenta, brinca e reage aos estímulos que você e o ambiente oferecem. E na dúvida, já sabe, converse com um especialista!

  • Patrícia Junqueira

    Fonoaudióloga há 25 anos e Doutora em Distúrbios da Comunicação Humana pela Unifesp. Mãe do Felipe e do Tiago, ela idealizou e criou o Instituto de Desenvolvimento Infantil para atuar e divulgar seu olhar integrado para o desenvolvimento e necessidades fonoaudiológicas de bebês e crianças

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