Ser mãe é amar incondicionalmente?


Luciana Romano e Raquel Benazzi
por: Luciana Romano e Raquel Benazzi

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Aceitar as próprias emoções, ainda que ruins, é importante para ensinar aos filhos que somos de carne e osso (Foto:123RF)

Quando o assunto é amor de mãe, a psicologia oferece diversas abordagens, mas não há uma única resposta aceita universalmente. Porque ao longo do relacionamento com o bebê, novas experiências vão ativar diversos tipos de comportamentos (do amor ao ódio) e, assim, vai se configurando a relação entre ele a mãe. Mas apesar de tudo isso, desde a gravidez, há uma cobrança coletiva para que todas as mães reajam da mesma forma, ou seja, para que amem incondicionalmente seus bebês. Sabemos, entretanto, que não é bem assim que acontece na prática.

Cada mulher teve uma experiência única com a própria mãe, e esse relacionamento vai influenciar os sentimentos, as formas de agir e as futuras relações dessa mulher, incluindo a que ela terá com seu bebê. Claro que existe um instinto materno semelhante ao dos animais, em que a mãe cuida do filho, supre suas necessidades básicas, protege-o dos perigos e o ensina a ser independente. Ainda que essa possibilidade de amor exista em todas as mães, ela não é instigada apenas pela vontade consciente das mesmas, e sim por suas histórias particulares de vida. Pois até mesmo entre os animais – cães, gatos, porcos etc. -, há casos de abandono da cria. Em resumo, nossas relações são sempre construídas com base em experiências com a pessoa da relação (nesse caso, o bebê) e com nossas relações passadas (como a que você teve com a sua mãe, por exemplo).

Por isso, não se assuste se você não amar o seu bebê tanto quanto ouve outras mães falarem logo de cara. Pense em como você amou seu companheiro: foi à primeira vista ou a relação foi se fortalecendo com o tempo até se tornar forte de verdade? Com o filho pode ser a mesma coisa, o problema é que, pela cobrança social, muitas mulheres não se permitem viver isso. Winnicott, famoso pediatra e psicanalista pioneiro na observação de crianças, chama a atenção para um ponto: como amar um ser totalmente dependente de você, que a suga, morde, chora e a faz de empregada? Não é de surpreender, portanto, que essa convivência seja uma mistura de amor e ódio ao mesmo tempo – como suportar o cansaço, a demanda e todas as abdicações necessárias em prol do filho? Quando você percebe que pode amar e, ao mesmo tempo, ter sentimentos negativos por seu bebê (e que isso não faz de você uma mãe ruim!), tudo fica mais fácil. A relação se torna humana de verdade, o que engloba uma série de sentimentos contraditórios.

Mães, afinal, são seres humanos reais, de carne e osso e com sentimentos. Em vez de sentir vergonha e culpa, então, que tal aceitar suas emoções? Essa atitude é importante para ensinar aos próprios filhos que não gostamos apenas daquilo que é bonito de ser visto, mas também de pessoas de verdade, com suas falhas. Mães perfeitas são uma utopia! E está tudo bem, pois o que as crianças precisam mesmo é de mães reais, com disponibilidade para acertar, errar e, claro, amar. E se hoje as coisas estão difíceis (e você não está tão apaixonada assim pela maternidade), fique tranquila. Porque o vínculo com o seu filho é algo dinâmico, ou seja, será construído e reconstruído, à medida que vocês crescerem juntos num caminhar contínuo.

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  • Luciana Romano e Raquel Benazzi

    Psicólogas com formação em Psicologia Clínica e Hospitalar, são idealizadoras e sócias do Núcleo Corujas, espaço especializado em Gestantes e Mães

Data da postagem: 16 de maio de 2016

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