Até quando a criança deve acreditar no Papai Noel?


Maria Carolina Signorelli
por: Maria Carolina Signorelli
Psicóloga de crianças e adolescentes

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A capacidade de fantasiar faz bem em todas as idades (Foto: It Mãe)

“Mãe, você me empresta o IPad? Preciso procurar no Google se Papai Noel existe!”. Enquanto eu media a febre do meu filho mais novo, fui interrompida por esta indagação da minha filha, na época com 8 anos. Como mãe, confesso que a princípio, fiquei um pouco surpresa. Lamentei baixinho: “Mas já?”. E no meio da confusão em que me encontrava, permiti que ela fizesse sua importante pesquisa! Com a desenvoltura que toda criança da atualidade lida com a tecnologia, ela navegou em busca de sua resposta. Permaneci ali, atenta, mas um pouco insegura, perguntando-me se eu estava pronta para lidar com aquela situação. Fui, aos poucos, digerindo a ideia de que minha filha estava crescendo! Tentei resgatar na minha memória, com que idade deixei de acreditar em Papai Noel. Não fui capaz de me lembrar… E fui me dando conta de que Papai Noel existe para quem acredita nele… Dividi este pensamento com minha filha e a partir daí, ela me convidou para participar de sua pesquisa. Juntas, fizemos uma série de descobertas, como por exemplo, a história de São Nicolau. Filhos fazem isto com a gente o tempo todo! Nos dão a maravilhosa oportunidade de aprendermos junto com eles!

A crença no Papai Noel é muito saudável! Aliás, a capacidade de fantasiar, não depende da idade. Ela é intrínseca a qualquer ser humano, além de ser fundamental para lidarmos com os conflitos e insatisfações da realidade. As histórias infantis e as figuras mitológicas nos ajudam a dar conta das angústias e ansiedades cotidianas. Nós recorremos a elas para elaborarmos diversas questões afetivas. Quem nunca assistiu um filme bem água-com-açúcar depois de uma desilusão amorosa?!

A partir dos 7 anos, a criança começa a elaborar hipóteses sobre a finitude da vida. Passa a fazer questionamentos a respeito da morte, da crença na figura do Papai Noel, da Fada-do-dente, do Coelhinho da Páscoa. Mas isto não significa que você precisa apresentá-la à realidade de maneira abrupta e desmascarar a fantasia da noite para o dia! Uma boa estratégia diante do questionamento se Papai Noel existe, é devolver a pergunta à criança, abrindo espaço para que ela possa falar sobre suas desconfianças. Ela não descobre a verdade de uma hora para outra. O mais importante é ouvi-la, compreendê-la nos seus questionamentos e dar espaço para que ela elabore as próprias hipóteses. Recentemente, um paciente meu fez uma elaboração tão linda! Ele me disse: “Eu descobri que os super-heróis são pessoas como nós, mas quando usam suas fantasias, tem super-poderes!”.

Meu conselho: neste Natal, resgate em sua memória infantil a crença no Papai Noel! Renove seu coração de esperança, faça sua listinha de desejos e entregue pessoalmente ao Bom Velhinho! Excelente programa para fazer em família, não é mesmo?

Feliz Natal!

  • Maria Carolina Signorelli

    Psicóloga e mãe de Gabriela e Fernando. Ou vice-versa! Atende crianças e adolescentes no consultório e é expert em orientar os pais em seus dilemas

Data da postagem: 16 de dezembro de 2016

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